Deus, Cristianismo e Anticristicidade.

mein kopf explodieren

Deus, Cristianismo e Anticristicidade.

Postby Macren » Wed Nov 23, 2005 2:56 pm

"O predomínio do sentimento de pena sobre o sentimento de prazer é a causa desta moral e desta religião fictícias; mas um tal excesso estabelece bem a fórmula para a decadência..."
- Friedrich Nietzsche

Uma crítica da concepção cristã de Deus impõe uma conclusão semelhante. Um povo que ainda acredita em si possui, além disso, um Deus que lhe é próprio. Venera nesse Deus as condições que o tornam vitorioso, as suas virtudes - projeta a sensação de prazer que a si próprio se causa, o seu sentimento de poder, num ser a quem por isso pode agradecer. Quem é rico, oferece-Lhe o que tem; um povo orgulhoso necessita de um Deus a quem possa fazer sacrifícios. A religião é, nestas condições, uma forma de agradecimento. E um agradecimento a si mesmo: para isso se precisa de um Deus. Tal Deus deve poder servir e prejudicar, deve poder ser amigo e inimigo; e dever-se-á admirá-lo tanto no bem como no mal. A castração antinatural de um Deus para converter num Deus unicamente do bem seria, neste caso, totalmente indesejável. Tanta necessidade se tem de Deus mau como de Deus bom. Não é exatamente à tolerância, à filantropia, que se deve a própria existência... Que valeria um Deus que não conhecesse nem a cólera, nem a vingança, nem a inveja, nem o engano, nem a astúcia, nem a violência, que ignorasse até os maravilhosos ardeurs da vitória e da destruição? Um tal Deus não se compreenderia; então para que o ter?
Sem dúvida, quando um povo perece; quando sente desaparecer para sempre a sua fé no futuro ( crenças apocalipiticas ), a sua esperança na liberdade; quando a submissão lhe parece ser necessária; quando as virtudes dos servos entram na sua consciência como imperativos de sobrevivência, então é preciso também que o seu Deus se transforme. Torna-se hipócrita, medroso, humilde; aconselha a “paz da alma”, a ausência do ódio, o respeito, até o “amor” tanto para com os amigos como para com o sinimigos. Não faz mais do que moralizar; insinua-se em cada virtude privada; torna-se o Deus de cada homem; particulariza-se, torna-se cosmopolita... Em outros tempos, Ele representava um povo, a força de um povo, tudo o que na alma de um povo existe de agressivo e sedento de poder; a partir de agora Ele nada mais será que o bom Deus... De fato, não há para os Deuses outra alternativa: ou são vontade de poder – e enquanto o forem serão Deuses de um povo – ou são impotência do poder – e então tornar-se-ão, forçosamente, bons.
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Macren
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Postby Mussum » Wed Nov 23, 2005 5:07 pm

Eu ia até ler o texto pra começar uma discussão sobre o tema, mas o maluco começou o texto citando Nietzsche, é a mesma coisa que começar uma discussão política citando Mainardi ou Olavo de Carvalho.
Macren, o mais novo pseudonimo de Fernando Pessoa @!@!~~~~
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